Pular para o conteúdo principal

SescTV estreia “No se Mira Impunemente”, documentário inédito sobre o teatro ibero-americano contemporâneo



O filme vai ao ar no canal no dia 16/9, sábado, às 22h, e também será exibido no Sesc Santos, no dia 26/9, às 20h, com a presença do diretor Cristiano Burlan
Inspirado na obra No Se Mira Impunemente pela Ventana, do diretor teatral e artista plástico polonês Tadeusz Kantor, o documentário No se Mira Impunemente, dirigido pelo diretor de cinema e teatro Cristiano Burlan propõe um diálogo sobre o teatro ibero-americano contemporâneo. A produção foi gravada durante o Mirada - Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos, 2016, realizado no litoral paulista. Contendo trechos de espetáculos apresentados na quarta edição do festival, a atração conversa com artistas e profissionais ligados à área teatral sobre temas tratados nessas obras, como a violência e o rompimento das fronteiras entre o teatro, as artes plásticas, a dança, a literatura e o cinema. 
Realizado pelo SescTV, o documentário inédito estreia no canal, no dia 16/9, sábado, às 22h (assista também em sesctv.org.br/avivo), e será exibido no Sesc Santos, no dia 26/9, terça-feira, às 20h. A exibição no Sesc Santos é gratuita e conta com um bate-papo após o filme, com participação do diretor Cristiano Burlan e dos curadores da última edição do Mirada.
Violência, sexo e morte são temas abordados no documentário, através do trabalho da atriz e dramaturga espanhola Angélica Liddell e seu espetáculo Qué Hare Yo Con Esta Espada? Para a artista, a violência é um ato que ajuda as pessoas a reconhecerem suas próprias naturezas. “O que faço é transformar a violência real em violência poética”, articula. Já o sexo e a morte, segundo Liddell, foram as primeiras proibições aplicadas ao ser humano. “Implicam a lei e a violação da lei, e, para mim, é importantíssimo levar o teatro para o terreno mítico, de transgressão”, explica.
A política também é um tema que permeia algumas das montagens que fizeram parte da 4ª edição do festival, como a peça A Trajédia Lantino-Americana, do diretor e dramaturgo Felipe Hirsch, inspirada no cenário sociopolítico do continente. A atriz Júlia Lemmertz, que participa da peça, diz que viver já é um ato político. “A política está em tudo, principalmente na arte”, completa. 
O crítico de teatro Daniel Schenker questiona sobre a importância de se definir o que é teatro, cinema ou dança, já que, para ele, há um encontro das fronteiras dessas manifestações artísticas. “Essa intersecção é alguma coisa que acontece bastante nos espetáculos de hoje. Eu acho interessante essa contaminação”, revela. O trabalho de Hirsch é um exemplo dessa mistura de fronteiras da arte. “Todo meu outro background vem de tudo que eu vi em cinema. Na música também, mas muito mais no cinema”, conta o diretor.
O documentário também aborda o teatro artesanal, representado no festival pelo grupo Clows de Shakespeare. “Você usa garrafa pet cortada ao meio, com areia e um pedaço de pau com uma rosa. Eu acho que é um pouco a síntese do que é a linguagem desse espetáculo escrito há mais de 400 anos”, esclarece o ator Marco França, se referindo à montagem Sua Incelência, Ricardo III, do dramaturgo inglês William Shakespeare, dirigida por Gabriel Villela. A peça mistura elementos da cultura brasileira com da Inglaterra Elizabetana.  
A produção ainda traz depoimentos do filósofo brasileiro Vladimir Safatle, que comenta, entre outros assuntos, sobre a capacidade que a arte tem de construir e desconstruir suas formas.
Sobre o Mirada - Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos
Realizado pelo Sesc São Paulo desde 2010, o festival bienal tem como objetivo traçar um panorama das produções teatrais contemporâneas de países da América Latina, Portugal e Espanha. Ao trazer essas produções, o festival discute questões importantes sobre o fazer cênico e sobre identidades, abrindo espaços para o diálogo intercultural. Além disso, destaca a transformação da herança ibero-americana e sua hibridização no encontro com outras culturas. A cada edição, o festival homenageia um país e prioriza alguns temas. Na edição de 2016, a Espanha foi a nação que teve uma atenção especial, participando com oito espetáculos, e os temas foram a troca, o diálogo, o olhar da criação, do pensamento e do sentir. 


Serviço:

Documentário
No se Mira Impunemente
Direção: Cristiano Burlan

Estreia no SescTV
Dia: 16/9, sábado, às 22h
Reapresentações:
Classificação indicativa: 16 anos

Lançamento no Sesc Santos
Dia: 26/9, terça, às 20h

Produção: Belas Filmes Produções 
Realização: SescTV 
Duração: 56 min


Para sintonizar o SescTV:
Canal 128, da Oi TV 
Ou consulte sua operadora
Assista também online em sesctv.org.br/ao vivo
Siga o SescTV no twitter: http://twitter.com/sesctv 
E no facebook: https: facebook.com/sesctv

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Enfeites de Natal em potes, vasos e garrafas de vidro

Pra quem ama artesanato e enfeitar a casa para o Natal, a hora é agora. Deixo abaixo algumas dicas para fazer com taças, garrafas, potes e vasos de vidro: 


















Roberto Carlos, O contador de Histórias

Fernanda Santiago
O contador de Histórias – Se você ainda não assistiu ao filme, recomendo que coloque na sua lista. Sabe aquelas histórias envolventes e reflexivas? Será que vale a pena investir numa pessoa que todo mundo diz que não tem jeito? Esta história verídica diz que sim. O filme conta a história de Roberto Carlos, um menino que teve sua primeira infância na Febem, devido a ignorância da sua mãe, mostrando o que a falta de educação e instrução faz com a sociedade. Para o sistema, Roberto Carlos era mais um “delinquente”, mas a condição de vida dele começou a mudar quando surgiu na Feben, uma educadora francesa que assumiu um papel maravilhoso na sua vida: o aceitou, o educou, o instruiu e acima de tudo, ensinou na prática que o amor é um longo exercício de paciência. Faz tempo que assisti ao filme, mas recentemente encontrei uma palestra do próprio Roberto Carlos no YouTube. Fiquei encantada. Hoje, é ele quem assume o papel de educador. Além disso, ele faz com outras crianças o…

Resenha: Contos de enganar a morte , de Ricardo Azevedo, 1ª edição - 2003.

Por Thiago Grass
Pode-se dizer que o folclore é uma força em constante movimento, uma fala, um símbolo, uma linguagem que o uso torna coletiva. Por meio dele, as pessoas dizem e querem dizer. E a dica de leitura bebe justamente dessa fonte da cultura popular. No livro “Contos de enganar a morte”, o escritor Ricardo Azevedo explora esse tema tão delicado de forma leve e criativa. O próprio autor menciona na obra:
Trata-se de um grave erro considerar a morte um assunto proibido ou inadequado para crianças. Heróis nacionais como Ayrton Senna, presidentes da república e políticos importantes, artistas populares, parentes, amigos, vizinhos e até animais domésticos infelizmente podem morrer e morrem mesmo. A morte é indisfarçável, implacável e faz parte da vida (AZEVEDO, 2003, p.58).
Portanto, o livro reúne quatro narrativas sobre a “hora de abotoar o paletó”, “entregar a rapadura”, “bater as botas”, “esticar as canelas”. Nesses contos, os personagens se defrontam com a morte, contudo, ninguém …