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Dia Mundial da Conscientização do Autismo: Livros Essenciais nas Bibliotecas de São Paulo

É gritando que se resolve as coisas?


Fernanda Santiago Valente

Não é fácil ser pais de crianças de 2 a 3 anos. A tão conhecida fase da birra. São raras as crianças que não desenvolvem essa fase. Aprendi na experiência que gritar com elas, piora. Meu filho tem dois anos e um mês, é serelepe e ainda está aprendendo a lidar com suas emoções. Ele está aprendendo a se comunicar. Ainda fala pouco. Quando quer chamar a atenção, principalmente a minha, joga tudo o que vê pela frente no chão. Sempre tento acalmá-lo, buscando entender o que ele quer dizer. Se estiver ao meu alcance, atendo o pedido dele, se for algo que não seja adequado a ele, imponho limites. Digo não, explico porque não pode. Ele chora e passando alguns minutos, para de chorar. Faz pouco tempo que tenho aprendido a lidar com isso, pois em alguns momentos, eu gritava com ele.
O meu filho entrou na escola este ano. Um pouco antes de completar dois aninhos. No entanto, passamos por uma fase de adaptação. Durante uma semana e meia eu fiquei na escola com ele, juntamente com as professoras. Elas explicaram como seria a rotina dele na escola e apresentaram tudo isso aos pais na prática, pois participamos com as crianças das atividades.
O meu Davi é agitado, é daquelas crianças que dificilmente ficam quietas. Na escola, eu ficava observando as outras crianças e elas ficavam quietas, participando de todas as atividades, mas o Davi, não. Enquanto as crianças estavam numa roda cantando musiquinhas com as professoras. ele estava mexendo nos livros que estavam na estante, mudando tudo de lugar. Eu o tirava de lá e o colocava sentado com as crianças. Não adiantava. Ele voltava a mexer nos livros. Aí teve um momento que não aguentei e dei um grito:
_É para ficar sentado lá!
De repente uma das professoras veio particularmente conversar comigo:
_Mamãe, não é com grito!
_Então, faço o que?
_Deixe!
A partir daí, descobri que o objetivo é ignorá-lo. Ele só estava querendo chamar a atenção de todos. Realmente não é com grito que se resolve. Comecei a observar melhor as atitudes dele. Ao invés de ficar nervosa e aborrecida porque não me obedecia, aprendi a compreender porque estava fazendo algumas coisas. Ele já está há dois meses na escola, e hoje, participa de todas as atividades. Em casa, quando insisto que faça alguma atividade, não dá certo. Eu simplesmente pego folhas e giz de cera e começo a desenhar, ignorando se ele está fazendo alguma birra. Logo, ele senta ao meu lado e começa a desenhar junto. Uso a mesma técnica para brincar, assistir televisão, comer. Eu inicio. Não o chamo. Ele vem.
Isso não significa que todas as mães devam seguir essas regras, ainda mais porque cada criança é diferente. Eu apenas encontrei um jeito de lidar com as birras do meu filho, a fase que ele está aprendendo a lidar com as emoções.
Nós somos diferentes das crianças, já passamos por essa fase. Noto que a maioria dos adultos tratam as crianças como pensassem igual a eles. Ambiente de adulto não é lugar para crianças, a não ser que tenha monitores para elas. Se eu precisar participar de algum grupo de estudo, algum curso ou até mesmo tomar um café com uma amiga, sei muito bem que meu filho deverá ficar com meu esposo ou avós. Se eu não fizer isso, o meu filho chamará a atenção porque ele ainda está desenvolvendo a comunicação. Ele tem dois anos. Quer a minha atenção. Não é um adulto.

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