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Dia Mundial da Conscientização do Autismo: Livros Essenciais nas Bibliotecas de São Paulo

Amar não é se apaixonar

Fernanda Santiago Valente

Posso me apaixonar por um sorriso, por um tom de voz, por um olhar... posso me apaixonar por aquela pessoa que eu desejaria ser, mas nada disso me completará. A paixão é avassaladora, aventureira, louca, arranca o sono, acelera a respiração. E num instalar de dedos pode acabar.
O amor é tranqüilo. Ele não se importa em vestir a melhor roupa. Ele está ali de cara limpa e conhece todas as minhas inquietações, medos, arrepios, anseios, desejos, sonhos. O amor é aquele que sente quando não estou bem, identifica todos os meus sorrisos. O amor conhece todos os meus defeitos, às vezes tenta desfazê-los, mas se não consegue desiste de me incomodar.
A paixão me faz perder a hora, esquecer do que é meu e observar a cada instante o sorriso que me prendeu. A paixão prende. Ela me deixa tonta. Às vezes viciada.
O amor dorme comigo, me abraça, divide comigo um sonho, até mesmo um pesadelo, e me deixa sossegada, talvez até acomodada porque simplesmente sei que é meu.
A paixão domina, desaba, machuca e sai fora.
O amor permanece. O amor ama, ah, como ama... O amor é aquele que a cada dia me dá um pedaço do coração para que eu possa conhecê-lo por inteiro, em cada detalhe... detalhes que me fazem chorar, rir, sonhar, entender, perdoar...
A paixão é imatura.
O amor é responsável.
Prefiro amar! E só quero amar, pois não posso perder a hora.

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