Pular para o conteúdo principal

Dia Mundial da Conscientização do Autismo: Livros Essenciais nas Bibliotecas de São Paulo

O desafio da sustentabilidade: entrevista com o Professor Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do Movimento Circular

 


Como gerar menos resíduos, essa é a pergunta que muitos gestores fazem, talvez um dos principais desafios nos próximos anos para muitos municípios brasileiros

O mundo vai gerar 3,4 bilhões de toneladas de resíduos por ano até 2050, aumento de 70%, segundo estudo da organização sem fins lucrativos International Solid Waste Association (ISWA). O destino e reaproveitamento desses resíduos, dentro da proposta de economia circular, é um dos grandes desafios globais e dos municípios. 

O Professor Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do Movimento Circular, falou sobre essa importante questão para os municípios, afinal o aumento da produção de resíduos está ligado ao aumento de gases que provocam o efeito estufa, causando mudanças climáticas graves. 

 Leia a Entrevista: 

 1 - Quais são as prioridades, no cenário atual, para o desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras?


Edson Grandisoli:
Pensando que o grande desafio mundial atual está ligado às mudanças do clima, as cidades têm papel fundamental no enfrentamento desse cenário, uma vez que emitem cerca de 75% dos gases de efeito estufa relacionados à energia. Considerar essa questão como central deve levar população, empresas e governos a aturem de forma conjunta sobre temas como planejamento urbano, mobilidade, gestão da água e resíduos, obtenção de energia e inclusão.

2 - O Brasil tem 5.570 municípios de realidades muito distintas. É possível pensar num projeto único de economia sustentável para todos eles?

Edson Grandisoli: Não. Cada município tem uma história e parte de uma realidade distinta. Compreendê-la e pensar em diretrizes e ações depende da realização de um bom diagnóstico inicial. A partir dele, identificar os pontos de atuação por meio de ações coordenadas.

3 - Hoje, parte dessas cidades já tem projetos de sustentabilidade, e inclusive são ranqueadas em diferentes estudos. Que cidades o senhor citaria como referências e quais os principais projetos dessas cidades?

Edson Grandisoli: Segundo o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC), a cidade mais sustentável brasileira é São Caetano do Sul. A pontuação associada ao índice diz respeito ao progresso total das cidades para a realização de todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No caso de São Caetano do Sul merecem destaques projetos de energia limpa e acessível (ODS 9) e a conservação da vida na água (ODS 14).

4 - Qual a importância do Plano Nacional de Resíduos Sólidos nesse contexto de economia circular e cidade sustentável? Como o senhor avalia a execução desse plano no Brasil, na realidade atual?

Edson Grandisoli: O Planares compõem estratégias de curto, médio e longo prazos para colocar efetivamente em prática o que foi preconizado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O Planares levou mais de 10 anos para ser preparado, ou seja, temos um déficit sério com relação à gestão de resíduos na maior parte dos municípios brasileiros. Tanto o Planares quanto a PNRS possuem diretrizes e estratégias que valorizam a circularidade na economia, em especial na ponta final da cadeia, a gestão dos resíduos, por meio do estímulo à reciclagem e logística reversa. Apesar disso, ainda falta um longo caminho nessa direção. Financiamentos, novas políticas públicas e parcerias são fundamentais para caminharmos.

5 - Que medidas o senhor destaca nesse plano e como as cidades estão lidando com elas?

Edson Grandisoli: Acredito que a questão anterior responde essa questão. Difícil responder caso a caso. 

- Fora o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, existe outra ferramenta que o governo federal poderia utilizar para implementar ações de sustentabilidade nas cidades? Quais?

Edson Grandisoli: Melhor não dar foco somente na esfera federal se estamos sempre reforçando o papel da corresponsabilização.

7 - Quais os desafios das administrações municipais para implementar ações de economia circular? Como superá-los? 

Edson Grandisoli: As administrações municipais são apenas um ator (muito importante) quando se pensa em Economia Circular. A parceria com as indústrias, empresas e cidadãos é fundamental, uma vez que todos os atores sociais são responsáveis por um pedaço dessa circularidade, pensando-se na cadeia de extração-produção-consumo-descarte. Sendo assim, políticas públicas são fundamentais, bem como investimentos, coparticipação e corresponsabilização.

8  - Quais os desafios do setor privado e do mercado para a criação de projetos efetivos de economia circular nas cidades? Como superá-los?

Edson Grandisoli: Destacaria três: infraestrutura, investimentos e mudança de mentalidade. A superação dos desafios da circularidade, insisto, se faz de forma colaborativa e participativa entre diferentes atores da cadeia. Para isso, faz-se fundamental a criação de mais espaços de diálogo e colaboração. Em muitos casos, o que é lixo para um, é insumo para outro.

9 - Quais os desafios das pessoas para a adesão a projetos efetivos de economia circular nas cidades? Como superá-los?

Edson Grandisoli: No caso das pessoas, considerando-as cidadãos e cidadãos, e não somente consumidores, é preciso participação na vida pública e mobilização. Cobrar transparência de informações das empresas e governos favorece melhores escolhas no dia a dia, bem como avaliar constantemente suas prioridades e reais necessidades de consumo. Refletir e recusar são dois dos mais importantes para o consumidor.


10 - Quanto tempo é necessário, na sua avaliação, para que uma cidade consiga adotar efetivamente um projeto satisfatório de economia circular? O senhor pode dar exemplos? 

Edson Grandisoli: Não há como prever. Diagnósticos que se utilizam de bons indicadores devem apontar de forma assertiva as diferentes demandas, necessidades, carências e fortalezas. Criar cidades sustentáveis e resilientes é um processo que tem data para começar, mas não tem data para acabar. Alguns países da Europa, como a Alemanha, possuem altas taxas de reciclagem (cerca de 70%), mas ainda incineram parte de seus resíduos, o que colabora para as mudanças climática globais. Sempre há o que melhorar.

11 - Que passos fundamentais, práticos, a cidade deve executar para se tornar sustentável dentro do projeto de economia circular?

Edson Grandisoli: Adotar um pensamento mais sistêmico e integrado, procurando compreender da melhor forma a cadeia de produção, consumo e descarte e como cada grande ator participa dela. Pensar em circularidade é obrigatoriamente pensar nas conexões de causa e efeito. Sendo assim, uma boa análise diagnóstica integrada e multisetorial pode revelar pontos importantes de ação na direção da circularidade.

 Saiba mais: https://movimentocircular.io/pt


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fixação de Luka: Um stop motion sobre autismo baseado em fatos reais

Créditos: facebook.com/FixingLuka Fernanda Santiago Fixação de Luka: Este é um Curta metragem maravilhoso sobre o autismo. É um stop-motion inspirado nas experiências de Jessica Ashman, que tem um irmão mais novo autista. Ela conta a história baseada em sua infância, da maneira que ela enxergava o seu irmãozinho mais novo. Na história desenvolvida por ela, Lucy a representa, e Luka, faz o papel do seu irmãozinho. Luka é um menininho todo meticuloso. Na estante, patos de borracha são alinhados perfeitamente em uma fileira, mil selos estão presos a uma parede do quarto. Além disso, tem uma mania obsessiva em montar pirâmides de dados. Estas são apenas algumas das manias de Luka, e num diário, Lucy anota todo o desempenho do irmão. Ela acha que Luka precisa de conserto, pois toda vez que ela tenta se relacionar com ele, tentando mexer em sua rotina repetitiva, ele desmorona. Numa noite, se sentindo maltratada por suas rejeições, Lucy perde a paciência e foge. Tropeçando na f...

Felicidade, Significado, Vida...

  Por Fernanda Valente Levar a vida com significado é um desafio. Escolher ser grato é praticar em todo momento a benevolência. Felicidade não é algo que se procura. Felicidade é respirar, é ter fôlego de vida mesmo que dos seus olhos estejam escorrendo lágrimas. Felicidade é saber que as lágrimas servem para curar, mesmo que ainda o processo de cura esteja acontecendo... O importante é querer.  Vida com significado é ter um sonho ou vários sonhos. É fazer listas. É elaborar planos dos menores aos maiores. Aos poucos somos capazes de construir algo. Para isso, só é preciso ação. Tudo pode ser recomeço. Pontos finais só existem se a gente permitir.  Enquanto houver reticencias podemos dar continuidade, mudar a rota, se perder e se encontrar... Quanto mais vulneráveis somos, mais somos fortes. Para alguns pode parecer fraqueza, mas sentimentos sempre são verdadeiros. Por isso, não vale a pena se esconder. Máscaras caem. Seja você.  Ria, dance, transforme pessoas estran...

Programa Conexão Inclusão

  Nesta terça-feira, dia 22 a partir das 19h30 você poderá conferir o Programa Conexão Inclusão com apresentação de Cristina Fernandes Soares, palestrante, psicopedagoga, advogada e ativista em educação inclusiva e comentários de Fernanda Valente, professora e jornalista com especialização em educação especial na perspectiva da educação inclusiva e Eduardo Lucas, jornalista. As convidadas desta noite são Vivi Reis, ativista em inclusão e criadora do Inclusivamente e também sua filha Clara Reis, que é bailarina e artista. Vamos falar sobre o protagonismo das pessoas com Síndrome de Down. Não perca:  www.planetaconexao.com Nas redes sociais: @planetaconexao @programaconexaoinclusao #paratodosverem: Na parte superior, o logotipo do programa Conexão Inclusão escrito em colorido em desenho de quebra cabeça, simbolizando o autismo, além da letra o, utilizando o símbolo da diversidade. Abaixo da esquerda para direita, num fundo branco tem uma foto de perfil da Fernanda Valente, no me...