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Dia Mundial da Conscientização do Autismo: Livros Essenciais nas Bibliotecas de São Paulo

Por que é importante falar sobre a saúde mental?


Por Fernanda Valente

Nós só aprendemos a nos interessar por algum assunto quando vivemos na pele a situação. Nossa mente é poderosa. Hoje é o dia mundial da saúde mental e a OMS (Organização Mundial de Saúde) explica que no Brasil temos praticamente 18,6 milhões de pessoas afetadas com algum tipo de transtorno, entre eles, depressão, ansiedade, bipolaridade, esquizofrenia... Quando se fala em doença mental há muito preconceito. A sociedade nunca ficou tão doente. A neurociência estuda que vários fatores contribuem para o desenvolvimento da doença que pode ser genético, ambiental ou até mesmo causado por um trauma, como a perda de um emprego, ente querido ou uma separação. 
Eu vivi no meu ambiente familiar a convivência com uma pessoa bipolar. Quando a doença se manifestou foi por causa da morte de um parente. A depressão chega. Ninguém em volta percebe. Começam os surtos. Em três surtos frequentes, meu parente tentou se suicidar. Isso já faz 20 anos. Na minha cidade, ainda existia hospital psiquiátrico, que as pessoas faziam questão de chamar de manicômio. 
O desespero maior é sempre da mãe, pois a pessoa na época tinha só 16 anos. Tinha acabado de passar num concurso da marinha e lá se foram vários planos de vida. Sem nenhum conhecimento sobre o assunto, a internação só piorou a pessoa. O lugar mais triste e deprimente de entrar é num hospital psiquiátrico como entrei naquela época, mais ou menos em 2001.  Tinha de tudo: usuários de drogas, alcoólatras, pessoas com depressão, autistas, esquizofrênicos... todos tratados da mesma forma, sem nenhuma interação, sem nenhuma esperança. Tudo o que uma mãe não quer é internar um filho. Dói! 
A qualidade de vida da pessoa só mudou quando foi trocado o psiquiatra. Por um bom tempo, a pessoa conseguiu ter uma vida aparentemente equilibrada. Com a mudança de medicação, começou a se envolver com trabalhos culinários. Casou, teve filhos, mas teve novamente uma recaída quase 10 anos depois, quando se divorciou. Não é fácil. O diagnóstico é bipolar. A pessoa tem episódios de manias (quando estão contentes ou produtivas), depressão (que é o momento pior, pois o humor fica ácido). Poucas pessoas ajudam. Alguns chamam de frescura, preguiça, comportamento de gente vagabunda. O que muitos não sabem é que se trata de uma doença, que infelizmente, contamina. Sim, contamina todos que estão ao seu redor. Parentes e amigos se afastam. No entanto, a pessoa é solitária.
A mãe e os parentes que escolhem ficar perto também precisam de ajuda, também ficam doentes. Por isso, toda a família precisa fazer terapia. Aceitar e conhecer a doença é um grande passo para conquistar o progresso e a qualidade de vida. O que não podemos aceitar é jogar uma pessoa dentro de um depósito de "loucos" e deixá-las presas ali sem nenhuma estimulação, sem nenhuma perspectiva de vida. O setembro amarelo já passou, porém, precisamos estudar, debater e nos aproximar cada vez mais das pessoas que sofrem. 
Atualmente, a síndrome do pânico que está associada à ansiedade tem provocado inúmeros surtos. O transtorno de ansiedade, diferente do transtorno bipolar é provocado pelo medo. A pessoa paralisa, acumula tarefas, procrastina a vida, não tem nada a ver com anseio, aquela vontade que a gente tem que algo aconteça logo (pois isso, é totalmente saudável). 
Vamos cuidar dos nossos parentes e amigos? Vamos lutar pela saúde em nossas escolas, trabalho e ambiente familiar? 

Para buscar ajuda: http://www.abrata.org.br/




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