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Profissionais com TDAH: Riscos e oportunidades no mercado de trabalho

Fernanda Valente 
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição que afeta uma parcela significativa da população mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 4% da população global apresenta TDAH, o que, no Brasil, representa mais de duas milhões de pessoas. No entanto, menos de 20% desse total recebeu diagnóstico ou tratamento adequados. Essa falta de apoio pode levar a consequências graves no ambiente de trabalho, incluindo demissões e aumento de divórcios.
Desafios no Ambiente de Trabalho

Durante uma aula nas Jornadas Acadêmicas da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, a especialista Isabella Henze, professora de psicologia, destacou que indivíduos com TDAH enfrentam dificuldades significativas que podem impactar sua vida profissional. Os sintomas, como comunicação deficiente, distração, problemas de gerenciamento de tempo e hiperatividade, frequentemente resultam em um desempenho abaixo do esperado. Isso, por sua vez, aumenta o risco de demissão, criando um ciclo de estigmatização e dificuldades emocionais.
Henze observa que, apesar das responsabilidades que todos têm, as pessoas com TDAH e Transtorno do Espectro Autista (TEA) necessitam de suporte extra para navegar em suas vidas diárias. O ambiente em que vivem pode influenciar a intensidade dos sintomas, e a predisposição genética também desempenha um papel crucial. O tratamento, embora não ofereça cura, visa ajudar essas pessoas a se tornarem funcionais em diversas áreas de suas vidas.

Avanços na Pesquisa e Intervenções Alimentares

Nos últimos anos, a ciência tem se aprofundado na relação entre alimentação e TDAH. Estudos sugerem que certos alimentos podem ajudar a mitigar os sintomas do transtorno. O cérebro consome entre 20% e 25% da energia obtida pela alimentação, o que enfatiza a importância de uma dieta equilibrada para o funcionamento cognitivo. Alimentos ricos em proteínas, como carnes magras e peixes, juntamente com carboidratos complexos, como grãos integrais e aveia, têm mostrado resultados positivos. Por outro lado, carboidratos simples, especialmente açúcar e farinha branca, podem exacerbar os sintomas.
Além do foco na alimentação, a abordagem psicológica atual é mais compreensiva do que no passado. Antes, comportamentos associados ao TDAH eram muitas vezes mal interpretados, levando a punições e conflitos familiares. Hoje, a educação e o suporte emocional são fundamentais para ajudar essas pessoas a gerenciar seus comportamentos e emoções.

O Papel do Hiperfoco

Um aspecto interessante do TDAH é o fenômeno do hiperfoco, que pode ser uma vantagem em ambientes de trabalho. Indivíduos com TDAH podem se destacar em áreas que exigem intensa concentração, desde que estejam devidamente orientados e motivados. Encontrar o tratamento adequado e o profissional certo é crucial para que essas pessoas possam explorar suas potencialidades.
O TDAH e o TEA não são sentenças de fracasso. Com o suporte adequado, tanto profissional quanto familiar, é possível transformar desafios em oportunidades. A conscientização sobre esses transtornos e a implementação de estratégias eficazes podem não apenas melhorar a qualidade de vida dos indivíduos afetados, mas também enriquecer o ambiente de trabalho, tornando-o mais inclusivo e produtivo. Assim, é essencial que empresas e colegas de trabalho se eduquem sobre essas condições, criando um espaço onde todos possam prosperar.

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